Projeto: A imprensa do Império e sua influência nos debates parlamentares

26abr07

Resumo

Este projeto vincula-se a outro, maior, intitulado Representação política no Império, financiado pela FAPESP e desenvolvido no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – CEBRAP – sob a orientação e coordenação da Profª. Drª. Miriam Dolhnikoff, cuja pesquisa objetiva analisar a especificidade do regime representativo brasileiro do século XIX, por meio da análise das discussões de certos temas na Câmara dos Deputados. A presente pesquisa analisará o papel exercido pela imprensa no regime representativo que se instaurava, tendo por hipótese que ela se constituía em importante veículo de expressão de opinião pública que fazia chegar aos parlamentares parte dos desejos e anseios de seus representados. Essa hipótese fundamenta-se nas diversas interpretações que, apesar de não analisarem a imprensa sob o recorte específico da sua influência sobre as funções parlamentares, atribuem a ela papel fundamental na articulação e divulgação de idéias e ações políticas, assim como a consideram os primórdios da constituição dos espaços públicos de discussão no Brasil, etapa necessária para a criação da nossa opinião pública. Para analisar a existência e o grau de influência dos jornais nos debates parlamentares, serão utilizados os periódicos da época e os anais da Câmara dos Deputados.

Justificativa

A imprensa foi introduzida no Brasil em 1808, por iniciativa do então príncipe regente D. João VI, que mandou vir os prelos e o material tipográfico da Inglaterra. Antes disso, o governo colonial proibia qualquer atividade periodística (e mesmo dificultava ou proibia a importação do instrumental tipográfico), por conta de seu interesse em manter o Brasil isolado do mundo e dependente da metrópole (outra proibição, sintomática, era a da instalação de fábricas na colônia), e de fato nenhum jornal teve circulação regular no território brasileiro antes da vinda da família real [1]. No entanto, a censura prévia aplicada aos manuscritos do material que deveria ser impresso impede, efetivamente, o surgimento de órgãos informativos independentes do governo. Dessa forma, de 1808 a 1820, só circulam no país jornais oficiais ou “inofensivos” do ponto de vista governamental, como é o caso da Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal aqui impresso, que divulgava os atos do governo, ou da Idade d’Ouro do Brasil, de iniciativa privada, na Bahia [2]. Em 1821, após o decreto da liberdade de imprensa das Cortes de Lisboa, D. João VI extingue também no Brasil a censura prévia [3].

Dessa forma, o surgimento da imprensa no Brasil, de maneira mais ou menos similar a que concebemos atualmente, relaciona-se com o início dos movimentos pela independência e, segundo Marco Morel, também à lenta criação de uma esfera pública de discussão política [4]. Esse “vício de origem” interferiu decisivamente para o caráter panfletário dos primeiros jornais – mas esse parece ser um traço comum da época: Michael Schudson aponta a mesma característica na imprensa norte-americana do início do século XIX (pelo menos até 1830). Segundo o autor, era esperado que a imprensa apresentasse um ponto de vista parcial, e não neutro; é na era jacksoniana que acontece a virada na qual a objetividade se torna uma exigência [5].

A produção dos jornais era artesanal e, segundo Nelson Werneck Sodré, não tinha nenhum caráter empresarial – jamais foi pensada por seus redatores como fonte de rendimento – não era fim, mas sim meio de ação [6], o que agrega elementos à sua vocação para a política.

Apesar da abolição da censura prévia, as leis de regulamentação da liberdade de imprensa estabeleciam diversos casos de abuso a que teriam de responder os que tivessem incitado os seguintes atos por meio de impressos distribuídos a mais de 15 pessoas: crimes contra a existência política do império, contra o livre exercício dos poderes públicos, ou contra a segurança e a tranqüilidade públicas. Ainda estavam previstos os crimes contra particulares (injúria e calúnia), os crimes policiais de abuso ou zombaria aos cultos estabelecidos durante o Império (doutrinas que questionassem a existência de Deus ou ofendessem a moral pública, por exemplo), e os crimes de uso indevido da imprensa, relacionados principalmente à ausência de registro da tipografia [7].

A existência de instrumentos coercitivos não deve ser ignorada (pelo contrário, é fundamental que seja explorada, a fim de que se possa determinar, mais acuradamente, os verdadeiros limites do regime representativo do século XIX), mas é importante manter em mente que, apesar da coerção legal, a imprensa tinha importância inconteste para a discussão política da época, a ponto de fazer com que Nelson Werneck Sodré afirmasse que “a vida política quase se resumia na imprensa” [8] – era grande o número de jornais e de polêmicas entre eles, continuamente se atacando ou se defendendo, dependendo da posição adotada por cada um.

Dessa forma, o estudo da imprensa do período imperial é importante porque demonstra, na prática, as concepções e projetos que as diferentes elites formulavam para o Brasil. Esta foi se tornando, ao longo do século, o espaço por excelência da divulgação de suas idéias e da construção de sua legitimidade, já que, uma vez publicadas e expostas ao debate, eram incorporadas aquilo que se chama de “opinião pública”. É claro que não se adota aqui uma concepção ingênua de opinião pública, acreditando que seja a opinião da razão crítica (como se subentende na concepção que a considera o tribunal da sociedade) ou mesmo a opinião da maioria. É simplesmente a opinião de parcela da população que, ao divulgá-la, consegue reunir forças que estavam desagregadas em sua individualidade, no sentido exposto por Bernard Manin [9].

Para o autor, a existência da opinião pública livre é ponto indispensável para a caracterização de um regime representativo enquanto tal [10], tanto para que o eleitor possa demonstrar suas opiniões políticas em outros momentos que não somente o do voto (direito esse entendido como uma contrapartida à ausência do direito de dar instruções a seu representante), quanto para que, divulgando essas opiniões, possa entrar em contato com outros que pensam da mesma maneira e, com isso, tornem-se conscientes da força potencial de sua organização. Relação horizontal entre os cidadãos que, segundo Manin, altera os cálculos verticais dos políticos em relação a seus eleitores, que invariavelmente devem prestar mais atenção àquelas opiniões que sabem ser de um grande grupo, organizado ou não [11].

Ainda considerando o papel da opinião pública, e agora refinando o problema, Manin afirma que o regime representativo característico do século XIX, que ele chama de parlamentar, se caracteriza pelo caráter “apolítico” do voto: nesse período, o laço de fidelidade entre candidato e eleitor não era programático, mas sim relacionado à localidade – eram escolhidos como representantes as notabilidades locais. Dessa forma, o voto não pode ser considerado como expressão de preferências políticas – deve ser outro o mecanismo para isso. A indicada pelo autor é a própria opinião pública livre [12].

No Brasil, ainda que a opinião não pudesse circular de forma totalmente livre, devido principalmente às restrições já citadas (outras seriam as de ordem econômica: poucos eram os que podiam arcar com os custos de manutenção de uma folha periódica), se observa uma grande efervescência jornalística – aos cidadãos era sim possibilitado que publicassem suas opiniões e, dessa forma, a publicidade dessas idéias lhes possibilitava a articulação de grupos em torno dos mesmos interesses, como de fato aconteceu, conforme relata Nelson Werneck Sodré, quando das articulações políticas que culminaram na independência do país [13].

E, no que diz respeito ao voto para as notabilidades locais, nada poderia ser mais verdadeiro para o Brasil. Numerosas são as crônicas sobre a indiferenciação dos partidos do Império em relação à sua atuação no governo; é pouco provável que durante as eleições tenha sido diferente [14]. Sendo eleitas as grandes personalidades, sem debates políticos que as diferenciassem, pode-se supor que essa etapa, necessária a qualquer sistema político no qual ocorrem disputas de projetos, acontecesse em outro momento. A agitação jornalística da época é um bom indicador do lugar onde ela pode ter ocorrido.

Como todas as atividades intelectuais da época, a atividade jornalística era, salvo raras exceções, reservada aos membros da elite culta do país, que não era necessariamente coincidente com a econômica. Pelo contrário, o desencontro entre letras e dinheiro era freqüente, e costumava deixar ressentimentos. Morel relata o ataque feroz do redator do Compilador Constitucional Politico e Litterario Brasiliense aos “fidalgos sem opinião, sem virtudes” e a “oligarquia aristocrática”, desinteressados de todo pelas atividades culturais. Além disso, conta o caso, emblemático, do periódico que, apesar de destinar-se a tratar de assuntos muito pertinentes aos negócios de uma das maiores elites do país (“lavradores e proprietários de engenhos no Brasil”), não passou do terceiro número [15]. Essa é uma faceta importante da imprensa: o seu público ativo, pelo menos o presumido. Existia, sem dúvida, por parte de diversos redatores, a pretensão de criar um público ilustrado e poderoso, formado por homens letrados e cultos, ao lado de ricos proprietários – leitores e cidadãos ativos. É claro que essa imagem às vezes se concretizava, basta verificar o crescimento da imprensa periódica, mas não pode ser tomada como parâmetro único do alcance do periodismo [16].

Além da idealização do público leitor que a situação acima relatada evidencia, existem outros motivos para se imaginar que a imprensa não estava restrita ao círculo de intelectuais, comerciantes e proprietários de terras.

O primeiro deles é que, entre os próprios redatores, não havia um consenso sobre qual deveria ser o público-alvo de seus escritos. Para alguns, a massa despossuída e iletrada deveria ser o objeto de seus esforços, ao contrário daqueles que sonhavam com leitores à sua imagem e semelhança, melhoradas inclusive. E não somente entre os revolucionários, que obviamente viam na imprensa um instrumento com alto potencial de mobilização; também os conservadores sabiam da necessidade de dirigir-se aos miseráveis, educando-os pelo bem da civilização que desejavam consolidar [17]. A favor dessa informação, existem indícios de que não eram apenas os membros da elite os consumidores de periódicos – apesar da pobreza e da alta taxa de analfabetismo, a imprensa também era importante e presente na vida das classes mais baixas.

Os jornais tinham preços acessíveis – custavam o preço de um dia de trabalho de um escravo de ganho [18]. Além disso, práticas como leituras públicas e mesmo livrarias que permitiam às pessoas que lessem os jornais sem os comprar são relatadas como relativamente comuns, o que aumenta ainda mais o espectro do alcance dos periódicos, mesmo entre aqueles que não podiam pagar por eles.

Quanto à questão do analfabetismo, Marco Morel, Arnaldo Contier e Nelson Werneck Sodré, cada um à sua maneira, consideram que esse não era um empecilho fundamental para o acesso ao que era publicado.

Marco Morel noticia a convivência dúbia de práticas do Antigo Regime com práticas modernas; dessa forma, identifica que “havia cruzamentos e intersecções entre as expressões orais e escritas, entre as culturas letradas e iletradas. A leitura, como nos tempos então recentes do Antigo Regime, não se limitava a uma atitude individual e privada, mas ostentava contornos coletivos. Nesse sentido, a circulação do debate político ultrapassava o público estritamente leitor” [19].

Arnaldo Contier, por sua vez, cita Antônio Cândido para demonstrar o mesmo que Morel: “a ação dos pregadores, dos conferencistas de academia, dos glosadores de mote, dos oradores de comemorações, dos recitadores de toda hora, correspondia a uma sociedade de analfabetos, ou pouco afeitos à leitura. Deste modo, formou-se, dispensando o intermédio da página impressa, um público de auditores, muito maior do que dependesse dela e favorecendo, dir-se-ia mesmo requerendo no escritor certas características de facilidade e ênfase, certo ritmo oratório que passou timbre de boa leitura e prejudicou, entre nós, a formação dum estilo realmente escrito para ser lido. A grande maioria de nossos escritores, em prosa e verso, fala de pena em punho e prefigura um leitor que ouve o som de sua voz brotar a cada passo por entre linhas”. (grifo meu). E completa nos termos de sua pesquisa: “as relações entre o remetente da mensagem e o destinatário são fundamentais a fim de explicar o surgimento de uma imprensa numa cidade em que, praticamente, as notícias eram transmitidas oralmente. (…) A sociedade paulista era constituída, em sua maioria, de indivíduos analfabetos; por essa razão, os agentes pertencentes à elite intelectual, integrantes ou não do poder, modificavam consciente ou inconscientemente as mensagens, transformando-as em boatos dos mais variados tipos” [21].

Nelson Werneck Sodré fornece, ainda que indiretamente, ao longo de seu texto diversos exemplos de que o analfabetismo não era obstáculo intransponível para a comunicação dos redatores com a massa. Em uma dessas passagens, ele relata que, quando da prisão do jornalista Borges da Fonseca por sua liderança no levante republicano de Recife, em 1849, o cronista Figueira de Melo assim descreveu sua personalidade: “(…) enfarinhado nas doutrinas inexeqüíveis de escritores demagógicos, desde Rousseau até Cabet, que tinha por oráculos; pertinaz sobremodo em sustentá-las pela imprensa e pela palavra entre as classes baixas da sociedade, únicas que, por sua ignorância, podiam recebê-las sem contradição e a quem falava sempre em estilo rasteiro e apaixonado (…)” [22]. Ora, se Borges da Fonseca era capaz de propagar suas idéias às classes baixas por meio da imprensa e da palavra era porque ambas as práticas ainda se encontravam interligadas.

Neste sentido, é ajustado supor-se que a imprensa influísse também nos rumos das decisões políticas, não se prestando apenas à demarcação de território ideológico por parte das elites. Esse é o aspecto que essa pesquisa se propõe a abordar, e que não é privilegiado pela bibliografia existente.

Nelson Werneck Sodré, na sua História da Imprensa no Brasil, faz um levantamento colossal de jornais, pasquins e gazetas, e relaciona seu surgimento, desaparecimento, sucesso ou insucesso ao momento político imediato. Assim, a explosão do número de periódicos em 1821 e durante o período regencial era reflexo da conturbação política que se vivia naqueles dias [23].

O trabalho de Sodré visivelmente paga tributo às obras de Hélio Vianna, Contribuição à história da imprensa: 1812-1869, e de Carlos Rizzini, O livro, o jornal e a tipografia no Brasil. O primeiro estudo aborda a produção periódica brasileira do período imperial de forma “setorial”: divide-se em amostras de jornalismo acadêmico, científico, eleitoral. Já o segundo traz uma história da tipografia, para em seguida analisar (por meio de levantamento meticuloso) a produção impressa no Brasil desde a colônia (quando aqui somente se imprimiam documentos governamentais), até a independência. Rizzini, como Sodré, atribui importância decisiva para a imprensa nos momentos que antecedem a proclamação, como articuladora de interesses [25].

Outra obra importante é a Sociologia da Imprensa Brasileira, de José Marques de Melo. Nela o autor discute os motivos do atraso e da implantação da tipografia no Brasil, relacionando-os não somente com a vinda da corte, mas também com as necessidades globais da sociedade: a organização da burocracia pública e privada, assim como a demanda por informação a respeito de produtos, serviços, ações políticas e econômicas.

Numa outra chave de interpretação está o trabalho de Arnaldo Contier, Imprensa e Ideologia em São Paulo. Aqui, o autor analisa o vocabulário dos principais jornais de São Paulo entre 1822 e 1842, dando especial atenção ao uso político de palavras como ideologia, partido, Coroa. Ainda que contenha importantes informações a respeito da atividade periodística desse momento, sua principal contribuição é ao campo da semântica [26].

Trabalhos mais recentes estudam os periódicos como amostras da cultura política da época e mecanismos de criação de identidades políticas, como é o caso dos trabalhos de Isabel Lustosa [27] e Lucia Maria Pereira das Neves [28].

Por fim, é importante ressaltar a contribuição de Marco Morel ao estudo da imprensa brasileira [29]. Este autor analisa a produção periódica em relação à criação de espaços públicos de discussão política (a gênese da opinião pública), fundamentais para um regime político moderno (quando do Absolutismo, não era imaginável uma apreciação pública das atitudes do rei). A abordagem de Morel é a mais próxima da que pretende adotar esta pesquisa, pois a premissa aqui adotada é justamente a de que a imprensa exercia sim uma função pública, ainda que sua produção estivesse restrita a parcelas pequenas da população.

Objetivos

O principal objetivo dessa pesquisa é verificar se a imprensa brasileira desempenhou papel relevante no regime representativo brasileiro e, em caso afirmativo, qual foi ele. Para tanto, pretende-se observar qual foi a influência exercida pelo periodismo em dois momentos distintos: como meio de pressão pública na Câmara dos Deputados e como promotor (ou demolidor) de candidaturas à casa.

Partindo da hipótese de que a imprensa periódica teve sim influência nesses dois momentos, a pesquisa se concentrará na leitura e análise de alguns jornais da época, de três províncias (São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco), e também nos debates parlamentares, procurando assim as possíveis reverberações do que foi publicado no que se refere a três temas principais: a unificação da moeda, a instrução pública e o sistema eleitoral. A escolha desses temas e províncias não é aleatória.

São Paulo foi escolhida por ser uma província que, durante o período, começou a se expandir e ganhar importância na política nacional: a introdução da cafeicultura na década de 1840 promoveu uma transformação fundamental na província que, de economia marginal passou a ser, na década de 1870, a principal economia do Império. Além disso, desde 1827 foi sede de um dos cursos jurídicos, o que lhe garantiu centralidade na formação de bacharéis que, durante e depois do tempo de seus estudos, influíram de maneira decisiva – inclusive pela imprensa – na configuração política do Império.

Quanto ao Rio de Janeiro, a justificativa parece mais óbvia: era a sede da Corte e, por isso mesmo, palco principal das disputas políticas, muitas delas travadas pelos numerosos jornais ali editados, ainda que a maioria tivesse vida curta.

Finalmente, a província de Pernambuco foi escolhida por conta de sua posição econômica e política dentro do Império. Também sediava um curso jurídico (primeiro em Olinda, depois em Recife) e era lugar de conflitos acirrados entre liberais e conservadores, reproduzidos e produzidos pela imprensa da época. Além disso, é importante a análise da imprensa em uma província distante da Corte e que seguia caminho oposto ao de São Paulo: depois de ser um dos principais centros econômicos da colônia começava a enfrentar, no século XIX, a decadência da comercialização do açúcar.

Quanto aos temas, eram centrais para o Império que se construía. Falar de educação durante o século XIX foi sempre falar em projeto civilizador, em educar a imensa massa de iletrados para que pudesse integrar a ordem estabelecida pelo Estado que se construía. Ainda que não obtivessem resultados satisfatórios, sendo esse um tema que aparece recorrentemente cercado de reclamações, pedidos e lamúrias nos debates da Câmara, os deputados mostravam-se constantemente preocupados com essa questão [30].

A unificação da moeda, por sua vez, era a questão central para a integração nacional e, conseqüentemente, para a manutenção de sua unidade. Construir o Estado nacional passava por unificar o meio circulante e organizar os meios de sua emissão (sistema bancário). O embate entre projetos foi intenso, contrapondo-se principalmente dois, os metalistas e papelistas. Analisar este processo do ponto de vista da imprensa permite avaliar em que medida ela participou do debate econômico [31].

Finalmente, o sistema eleitoral, e as discussões e disputas que se configuram em torno dele, é tema fundamental, uma vez que se tratava de discutir o cerne do próprio regime representativo. A maneira como a opinião pública, reconhecida na imprensa, tratava o assunto e pressionava os deputados, e como estes respondiam às pressões é sintomática do tipo de projetos de cidadania e participação política que se tentava implantar no Brasil. A aprovação das leis de 1846 e 1855 foi precedida de intenso debate parlamentar sobre quem seria cidadão (no caso do primeiro) e sobre que tipo de representação se queria (no caso do segundo) [32].

Assim, o objetivo desta pesquisa é analisar a imprensa em três províncias exemplares dos contextos diversos em que se dividia o território nacional e em três temas que tiveram grande importância no debate parlamentar, todos diretamente vinculados ao processo de construção do Estado Nacional. Cada tema remete a um aspecto fundamental desse processo: o projeto civilizador de construção de uma identidade nacional (educação), a unificação econômica (meio circulante) e a organização institucional deste Estado em torno do modelo de representação política então prevalecente na Europa (sistema eleitoral).

A análise cobrirá o período de 1826 (quando a Câmara dos Deputados é estabelecida depois do fechamento da Constituinte e quando é decidida a criação dos cursos jurídicos de São Paulo e Olinda) até a década de 1860 (cobrindo assim o percurso de construção e consolidação do Estado Nacional). Trata-se de período extenso, mas que não será coberto de forma extensiva. Serão escolhidos momentos específicos, segundo a intensidade do debate de cada um dos três temas.

A escolha dos periódicos baseou-se na necessidade de cobrir a amplitude do espectro ideológico (analisando, assim, jornais de diferentes correntes políticas – no mínimo, respeitando a cisão maior entre liberais/conservadores) e também a do período escolhido [33]. Por essa razão, foi necessário, principalmente para a província de São Paulo, a escolha de mais de um jornal de cada corrente, a fim de que o período tivesse uma cobertura periódica correspondente.

Para o Rio de Janeiro, dessa forma, foram selecionados os jornais A Aurora Fluminense e O Correio Mercantil, classificados como liberais moderados, e o Jornal do Comércio, conservador.

Para São Paulo, os jornais escolhidos são O Constitucional (conservador), O Correio Paulistano (de posição ideológica flutuante), O Farol Paulistano, O Novo Farol Paulistano e O Paulista Oficial (continuações sucessivas da mesma linha editorial, ligada aos liberais) e o Ypiranga (liberal).

Finalmente, para a província de Pernambuco foram escolhidos O Diário de Pernambuco, conservador de longuíssima duração, e O Diário Novo, órgão liberal que nasce em oposição a este.

Todos estes jornais encontram-se no acervo da Biblioteca Nacional, alguns em sua forma original e outros em versão microfilmada, conforme consta no catálogo virtual da mesma.

Para analisar os debates parlamentares, serão utilizados os Anais da Câmara dos Deputados, disponíveis em forma eletrônica no site da Câmara dos Deputados e em forma impressa em diversos acervos, inclusive de bibliotecas da Universidade de São Paulo.

 

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Notas

[1] Cf, por exemplo, Juarez Bahia, Três fases da imprensa brasileira. Santos: Editora Presença, 1960, e Carlos Rizzini, O livro, o jornal e a tipografia no Brasil. Rio de Janeiro: Kosmos, 1945.

[2] Juarez Bahia, op. cit., pg. 27.

[3] Carlos Rizzini, op. cit., pg. 329.

[4] Marco Morel. Palavra, imagem e poder: o surgimento da imprensa no Brasil do século XIX. São Paulo: DP&A Editora, 2003.

[5] Michael Schudon. Discovering the News. Basic Books, 1978, pg. 4.

[6] Nelson Werneck Sodré. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, pg. 165.

[7] Katia de Carvalho. Imprensa e informação no Brasil, século XIX, in Ciência da Informação, vol. 25, n° 3, 1996 (online).

[8] Nelson Werneck Sodré, op. cit., pg. 111.

[9] Bernard Manin. Los principios del gobierno representativo. Madrid: Alianza Editorial, pg. 211.

[10] Manin afirma que, desde a invenção do sistema representativo de governo, se observam invariavelmente quatro princípios: 1) aqueles que governam são nomeados por eleições, em intervalos regulares; 2) a tomada de decisões por aqueles que governam conserva um grau de independência em relação aos desejos do eleitorado; 3) aqueles que são governados podem expressar suas opiniões e desejos políticos sem estar sujeitos ao controle dos que governam; e 4) as decisões públicas submetem-se a um processo de debate. Bernard Manin, op. cit., pg. 17.

[11] Idem, pg. 212.

[12] Idem, pg. 250.

[13] Nelson Werneck Sodré, op. cit., pgs. 43-82.

[14] Cf., por exemplo, João Francisco Lisboa, Crônica política do Império. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1984.

[15] Marco Morel, Palavra, imagem e poder: o surgimento da imprensa no Brasil do século XIX, op. cit, pg. 39.

[16] Marco Morel, As transformações dos espaços públicos: imprensa, atores políticos e sociabilidades na Cidade Imperial (1820-1840). São Paulo: Hucitec, 2005, pg. 216.

[17] Idem, pgs. 216/217.

[18] Marco Morel, Palavra, imagem e poder: o surgimento da imprensa no Brasil do século XIX, op. cit, pg. 93.

[19] Idem, pgs. 45/46.

[20] Antônio Cândido, “O escritor e o público” apud Arnaldo Contier, Imprensa e ideologia em São Paulo. Petrópolis: Vozes, 1979, pg. 38.

[21] Arnaldo Contier, Imprensa e ideologia em São Paulo, op. cit , pg. 37.

[22] Nelson Werneck Sodré, op. cit., pg. 152.

[23] Nelson Werneck Sodré, op. cit.

[24] Hélio Vianna, Contribuição à história da imprensa: 1812-1869. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1945.

[25] Carlos Rizzini, op. cit.

[26] Arnaldo Contier, op. cit.

[27] Isabel Lustosa. Insultos impressos: a guerra dos jornalistas na Independência 1821-1823. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

[28] Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves. Corcundas e Constitucionais: a cultura política da independência (1820-1823). Rio de Janeiro: Revan: FAPERJ, 2003.

[29] Marco Morel, Palavra, imagem e poder: o surgimento da imprensa no Brasil do século XIX, op. cit; e As transformações dos espaços públicos: imprensa, atores políticos e sociabilidades na Cidade Imperial (1820-1840), op. cit.

[30] Benedict Anderson e Eric Hobsbawn, entre outros, apontaram a importância fundamental das escolas na construção de identidades nacionais que dessem substrato à construção de Estados nacionais. Cf. Benedict Anderson, Comunidades imaginadas: reflexiones sobre el origen y la difusion del nacionalismo, Mexico: Fondo de Cultura Economica, 1993, e Eric Hobsbawn, Nações e nacionalismos desde 1780. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991. A respeito da educação pública no Império, José Ricardo Pires de Almeida, História da instrução pública no Brasil (1500-1889). São Paulo: INEP: PUC SP, 1989, tradução de Antonio Chizzotti; Roque Spencer Manuel de Barros, Ilustração brasileira e a idéia de universidade. São Paulo: Convivio, 1986; Antônio Chizzotti, “A Constituinte de 1823 e a Educação”, e Newton Sucupira, “O Ato Adicional de 1834 e a Descentralização da Educação”, in O. Favero (org.), A educação nas constituintes brasileiras, 1823-1988. Campinas: Editora Autores Associados, 1996; Alberto Venâncio Filho, Das arcadas ao bacharelismo: 150 anos de ensino jurídico no Brasil. São Paulo: Perspectivas, 1977; e Maria Elizabete Sampaio Prado Xavier. Poder político e educação de elite. São Paulo: Cortez Editora: Autores Associados, 1980.

[31] A respeito da questão da unificação monetária no Império, cf. Tamás Szmrecsányl e José Roberto do Amaral Lapa (orgs.), História econômica da independência e do Império. São Paulo, Hucitec, 1996; Ana Maria Ribeiro de Andrade. 1864: conflito entre metalistas e pluralistas. Rio de Janeiro, dissertação de mestrado apresentada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1987; Carlos Peláez e Wilson Suzigan. História monetária do Brasil, 2ª ed. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1981; Bernardo de Souza Franco. Os Bancos do Brasil: sua história, defeitos da organização atual e reforma do sistema bancário. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1984. (1ªed. 1848).

[32] A respeito da evolução do sistema eleitoral durante o Império, Neila F. M. Nunes, “A experiência eleitoral em Campos dos Goytacazes (1870-1889): freqüência eleitoral e perfil da população votante”. Dados-Revista de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, vol.46, n°2, 2003; Maria D´Alva Gil Kinzo, Representação política e sistema eleitoral no Brasil. São Paulo: Edições Símbolo, s/d; Manoel Rodrigues Ferreira, A evolução do sistema eleitoral brasileiro. Brasília: Senado Federal, 2001; Letícia Bicalho Cânedo (org.), O sufrágio universal e a invenção democrática, São Paulo: Estação Liberdade, 2005; e José Murilo de Carvalho, Cidadania no Brasil: o longo caminho, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

[33] A classificação política dos periódicos, assim como a duração de sua circulação, foi baseada em informações retiradas de Nelson Werneck Sodré, op. cit. e de Marco Morel, As transformações dos espaços públicos: imprensa, atores políticos e sociabilidades na Cidade Imperial (1820-1840), op. cit.

 



2 Responses to “Projeto: A imprensa do Império e sua influência nos debates parlamentares”

  1. 1 Pedro Henrique

    Tássia,

    peço desculpas, mas não consegui consertar todo o seu texto. Agora ele está estéticamente agradável, mas os links das notas de referência não estão funcionando, exceto quando o sentido é da nota ao texto. Caso alguém saiba resolver, peço que o faça. Realmente quebrei a cabeça por aqui, e não pude fazer muito.

  2. 2 Tassia

    PH, muito obrigada. Não esquenta com detalhes.


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