delírios…

06out07

Cria eu que o texto, intimista, não cabia no espaço público este que também me conforta, conforma. Mas minha felicidade pelas respostas positivas do que tive a apresentar me fizeram reconsiderar. Tenho blogue, mas ele carece de textos recentes. Ponho aqui, pois, sem este espaço que me é tão grave, não teria eu as palavras que fazem seus mais intensos momentos…

É texto-rascunho. Com repetições, truncamentos propositais, fluxos de consciência e pontuação confusa… há muito de mim. Ao leitor disso, apenas agradeço por me ajudar a completar processo do que é literatura para mim.

(Ah… devo dizer que é apenas um retalho d’algo que me é projeto petulante… por isso, a ausência de título… quem se interessar, por ora, às minhas melancolias, peço que entre em crônicashoras … há do que ler também lá)

sem título

Faria um quadro a cada face que põe no mundo, dizia a ela, para quem a conquista faz terra arrasada nos olhares oblíquos irreveláveis pelo que podia suspirar. Não passaria de bajulação, palavra barata, se a necessidade do sorriso não fosse tão absoluta quanto de água após a rotina de exercícios, Pois quem sabe não ficas com os quadros enquanto procuro minha alma partida, ao invés dum mero admirador de clara obra de arte, Aí que engana a si… ou acha que a face não conjuga mesmo à mais rasa das almas o concreto de que precisa para ser apreciada, Além de tudo, não se contém no discurso idealista, Mas bem concreto, como bem necessita minha alma.., Delírios à parte, vença o diálogo para que caminhemos ao ritmo apropriado, Mas já perdi… tem-me aos pés. Beijo breve, a vitória é difusa nos que caminham. Andar cotidiano, a rigor, mantém num o sangue saudável circulando. Noutro, ela, a vida já lhe trata de cuidar do vigor. Não poderiam andar ao mesmo ritmo se não fossem as constantes interrupções para ensaios românticos, que fazia parecer a criatividade como refúgio das dores de corpo. Depois corre e corrige as palavras mal dadas para um momento de descanso, Mas sabe que não tenho como controlar o que sai de mim nos momentos raros de espontaneidade, Pois eu duvido que seja capaz de soltar a mente aos limites… medo da psicopatia,  Já bastam minhas perversidades… – Como aprecio seus momentos de severidade… faço estripulias a fim de escapar de diretivas, pois que faz minha luta comigo mesmo mais delicada -, Mas dessas não tens medo, Testamos aos limites, não creio.., Traria medo se não fosse tua cara ameaçadora, Destruo o mundo num gesto mal executado do plano perfeito, Caminha comigo agora, e sente o abraço do sol… tuas assertivas, cada uma delas, digo que não deves te preocupar, a troco de folia… – e que tudo, e que tanto do mal escrito, e que as palavras desperdiçadas e mal compreendidas sejam de todo úteis para os bens que lhe tenho de contar nas novas que de tudo já sabe… quero sair do mundo meu para viver com todo desprendimento de uma queda livre o amor distante e íntimo dum casal privado…veja tudo no meu olhar de negação dos seus subterfúgios, pois noto por entre seu severo toque um medo da vida que me motiva sobretudo a expulsá-lo da própria mente… e faz como não pensa, deve dizer e a tudo o mais que lhe acusar inocente é puro… pueril e frágil, pois a covardia não é o medo da vida, hercúleo e notório, mas subestimar a potencialidade da existência a mera materialidade… nisso é mais vivo que heróis de guerra vitoriosos… – só vive, nada deve a quem confronta, Eventuais retratações por incompetência, Cuida-te apenas… – sim eu te amo.

                Ofegantes descansados, entreolham-se devagar no mundo só seu. A intimidade inexistente dos toques no riscar sensível dos braços resolve o impulso de união… ela abraça as próprias pernas e olha ao passeio deixado para trás, enquanto ele acomoda-se no curto espaço de sombra que lhe restou sem ultrapassar os limites da livre-decência, Que sente quando lhe contam más notícias esperadas, Alívio… impaciência, quando fogem do que urge.., Sabe que eu tomo tempo para respirar – sempre ela soube que quanto a mim as coisas dão nós terríveis e tornam minha maturidade partida e corrompida a ponto inidentificável… quero e como quero tudo o que de mim é impulso e a derrubaria sobre os campos em amar mas que há de se resolver d’então, quando sei que o que é fácil complexifica-me na mente, como o que é eternamente amado a distância e releva para perder-se sozinho na descoberta, sem algum proveito que acorde a seu desamor… -, Delírio… tens – impressão minha ou ama-me também… -?



One Response to “delírios…”

  1. 1 mariana

    isso aí, ph.
    belíssimo texto.
    pelo fim das divisões arbitrárias entre o que é humano e o que é público…
    em busca do humano em tudo, enfim.
    por mais doloroso que seja (eu que o diga).
    e que venham outros assim.
    beijos
    mari


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