interventor…

22dez07

da inconstância dos planos de fracasso, velhas notas soam mais concretas do que os estudos de esforço patético… isso é reconhecimento da distopia de si.

 

interventor

é pensar no sujeito como único capaz de alterar em si suas percepções e visão de mundo… essas, um amálgama de valores e desejos… o interventor, agente, é a própria arena da revolução… em sua história é objeto, ao alienar-se ao que atinge sua existência, piamente seguindo códigos e convenções… torna-se a matéria de idéias alheias e uma foto da História, instantâneo pobre em processo, preciso em detalhes momentâneos, em breve morto… em sua história é sujeito, ao centrar-se na busca de seu sentido em si, em desenlace à crítica do valor alheio, pressupondo, livre, seus limites, respostas e perguntas, para caminhar à História não como um quadro perfeito e consensual, mas em película dotada da contradição e do conflito, coerente consigo mesma, a partir do sentido que constrói de sua própria história, enquanto nessa está…

impossível é conceber qualquer um nato sujeito, mas decerto há uma predisposição dalguns ao desenrolar consciente de sua história… não há o indivíduo pleno sujeito, mas o que responde ciente de suas limitações ao devir… que nos atos constrói, instável em si, a contraditória consciência da limitação, que liberta ao abrir-lhe os olhos à sua condição de encarcerado… trespassa-se na compreensão de si… o “que sois vós” ao espelho lhe é questionamento inevitável… tantos é, mas todos são si… tantos que digladiam-se pelo poder de constituição última da personalidade, nunca definitiva… tantos que, sozinhos, sequer compreendem seus objetivos, à ameaça de aproximar-se daquilo que destitui da existência a vida e tornar o indivíduo um fragmento de si mesmo, e que, sob constante diálogo, vivem… em função do objetivo final da existência, determinada a cada um por si mesmo…

o interventor é também momento(s)… momento em que a existência se aproxima de vida, as contradições são compreendidas e o tempo se distorce, para comportar a explosão de idéias e valores assimiladas e replicadas sem compreensão objetiva, compreensão esta dificilmente atingida, e constantemente intimidada pelo caminho fácil, inferno no qual a reflexão é deposta para se submeter ignominiosamente a uma imposição sistemática dos valores e respostas que vulgariza o indivíduo à insignificância de si a si…mas que a partir da qual, tão individual e única que não se pode externá-la sem revogar sua essência, o indivíduo enxerga seu real escopo de ações e caminha consciente do tempo da ação, dispondo de meios de lutar contra a eterna sedução do caminho fácil…

obviamente que o mero momento não determina a ação, que frustra-se em mil razões adversas em vezes, a maioria tomada por sentimentos conservadores e contra-reformistas, mas aqui percebe-se o papel de agente de si mesmo do interventor, cuja predisposição ao comportamento que funde coerentemente idéia e ação permite o livre caminhar por sua história… um além-da-consciência que descoisifica a existência e humaniza o indivíduo…

a princípio, a percepção de que as condições materiais e sistêmicas restringem com grande eficácia os momentos interventores, ao decorar atrativamente o fácil caminho no qual a maioria absoluta prefere passar e abandonando os poucos desbravadores do longo caminho do auto-conhecimento ao ostracismo, torna qualquer indivíduo interventor um pessimista quanto ao seu caráter de agente de si mesmo e um triste observador consciente de sua história, neurastênico à constante agonia de sua inação consciente… entretanto, a medida em que o indivíduo compreende-se plural em si e completo apenas quando junto aos outros, a dimensão do coletivo, em anterior posse do destino do indivíduo, abre-lhe a oportunidade de atravessar caminho difícil com mais do que tépido apoio para encontrar-se em clara concordância com a ação individual interventora…

tal percepção do todo em si e do si no todo não se perde por completo em momento algum, independente de condições e contextos históricos… responde a diversas nomenclaturas, pressupostos e objetivos, mas mantém seu caráter de elemento fundamental para a constituição efetiva do momento/agente interventor…

…estas palavras, aqui escritas, introduzem uns relatos de jovens interventores que descobriram-se agentes em momentos atemporais, onde a linguagem não mais era capaz de ocorrer, quando presente a sensação em seu clímax, às aspirações por palavras e nem símbolos e sinais comportamentais podiam acompanha-los… orgasmos nirvânicos em construções magníficas de lógica e ética impecável… o tempo torna-se infinito e os relatos posteriores constituem especulações, dado que não houve qualquer registro de texto posterior ao interventor… até agora, ninguém optou pelo samsara…



One Response to “interventor…”

  1. 1 Gabriel

    om


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