Maio de 68 e a Internacional Situacionista

06jul08

Maio de 68 e a Internacional Situacionista

Elisa Klüger, dezembro de 2006

 

O abalo do cotidiano pelo meio estudantil

  O que queremos de fato e que as idéias voltem a ser perigosas

 

Introdução

 A imaginação no poder”.

A felicidade é o poder estudantil”.

A proposta desse trabalho é coletar e articular informações que nos permitam entender a singularidade e a criatividade do movimento de maio de 68, buscando analisar o papel da juventude nesse processo, entendendo-na como o fator determinante da trajetória e das idéias da revolução.

Quais as forças sociais e os processos históricos que deram origem ao maio de 68? Qual foi o papel dos jovens e dos situacionistas? Em que medida as proposições do movimento estavam associadas à forma de inserção deles na sociedade? Que novos questionamentos e proposições foram feitos no maio de 68? Quais foram seus desdobramentos? Houve uma originalidade na forma de fazer política e de pensar o cotidiano proposta por essa revolução? O que a tornou mundialmente influente? 

Esse tema e essas questões foram escolhidos por proporcionarem um esclarecimento sobre a história e as perspectivas transformadoras de movimento estudantil permitindo a reflexão, a crítica e o aperfeiçoamento decorrente. Especialmente interessantes para alguém que inicia sua inserção nesse meio.

 Levantes revolucionários

A liberdade do outro amplia a minha ao infinito (Bakunin).

 Não reclamaremos nada. Não pediremos nada. Tomaremos. Ocuparemos.

 “Uma revolução não ocorre apenas sob o efeito de um conflito interno entre opressores e oprimidos, mas advém do momento em que se apaga a transcendência do poder, no momento em que se anula sue eficiência simbólica” (Matos). Em maio de 1968 a transcendência do poder foi questionada, e se não foi essa uma revolução institucional definitiva, foi certamente uma revolução da forma de fazer política e do cotidiano que é também cerceado pelo poder.

Maio de 68 foi o maior levante revolucionário da Europa ocidental desde a Comuna de Paris. Estudantes batalharam intensamente com a polícia, milhões de trabalhadores estiveram em greve. “A bandeira vermelha e a bandeira preta tremularam sobre fábricas ocupadas, universidades, canteiros de obras, estaleiros, escolas primárias e secundárias, entradas de minas, estações ferroviárias, lojas de departamento, navios transatlânticos ancorados, teatros, hotéis. Praticamente todos os setores da sociedade francesa se envolveram em certa medida. Centenas de milhares de pessoas de todas as idades discutiram todos os aspectos da vida em reuniões lotadas e ininterruptas em todas as salas de aula ou auditórios disponíveis” (Solidarity). Fez-se história, de maneira não passiva, o que e a essência de uma revolução.

Mesmo assim não se concretizou a revolução. (no sentido de instalar uma nova estrutura institucional que permita a transformação da economia e da sociedade) e questiona-se se isso poderia ter sido feito. Os estudantes, por mais numerosos, mobilizáveis e desproporcionalmente eficazes que fossem não podiam fazê-la sozinhos. Porque sendo um grupo relativamente pequeno, transitório e sem o poderio econômico da riqueza, que permite a dominação (burguesia) ou o poder de abalar a acumulação, por serem parte constitutiva dela (operários) não tinham os meios materiais e políticos necessários para autonomamente implementar um novo sistema. A efetividade política deles estava em sua capacidade de agir como sinais e detonadores para grupos maiores que se inflamavam com menos facilidade, provocando paralisações temporárias da economia de países inteiros, que mostraram que a revolução socialista em um país fortemente industrializado era uma questão real.

Contexto mundial

Nosso modernismo não passa de uma modernização da polícia”.

Por favor, deixe o PC (Partido Comunista) tão limpo ao sair quanto voceê gostaria de encontrar ao entrar.

Primeiramente é importante situar o ano de 68, no período da guerra fria, conflito político-ideológico entre os defensores do capitalismo e os defensores do socialismo, que compreende o período entre o final da Segunda Guerra Mundial e a extinção da União Soviética. Particularmente no período de distensão que se segue a crise dos mísseis, no qual começam aos poucos negociações entre os dois blocos, e no período da guerra do Vietnã, que é um objeto de repúdio global do meio estudantil, o qual influencia todas as revoltas do período.

Outra especificidade do período abordado é a modificação pela qual as esquerdas passam apos o XX congresso de PCUS em 1956, conhecido como desestalinização. Três anos após a morte de Stalin, Kruschev divulga seu “relatório secreto” apontando os crimes de Stalin.

Pode-se dizer também que “esse foi o início de uma nova era do capitalismo, que manifestava uma correlação demográfica nova, em que o peso da juventude era maior, acompanhada de transformações na maneira de produzir, que tornavam obsoletas as maneiras anteriores da divisão social do trabalho. O peso específico da classe operária começava a decrescer e o controle soviético sobre a esquerda no mundo já não era o mesmo”. (Schwartz).

Era notável, que o mundo aumentava o seu caráter tecnoburocrático. Havia uma oposição entre a modernização técnica e econômica e as formas de organização social cultural arcaica cuja função era manter as tradições e princípios e não permitir mudanças.

Há uma ruptura entre a produção de conhecimento e a utilidade social do indivíduo e do conhecimento adquirido, no contexto da vertiginosa transformação das tecnologias e obsolescência do modo de produção. Isso afeta a universidade e a lógica do desenvolvimento de conhecimento. O saber produzido em forma de ciência e técnica é determinado pelas necessidades da produção de mercadorias, e o produzido em forma de ciência social estava a serviço do poder instituído.

Movimento internacional

Viva os estudantes de Varsóvia”. (Paris)

“Somos todos judeus alemães”.

A Extraordinária explosão de maio de 68 em Paris foi o epicentro de um levante estudantil mundial, caracterizado pela simultaneidade, mas não pela coordenação.

“A revolta estudantil de fins da década de 60 foi a última arremetida da velha revolução mundial. Foi revolucionária tanto no antigo sentido utópico de buscar uma inversão permanente nos valores, uma sociedade nova e perfeita, quanto no sentido operacional de procurar realizá-la pela ação nas ruas e barricadas, pela bomba e pela emboscada na montanha. Foi global não só porque a ideologia da tradição revolucionária de 1789 a 1917, era universal e internacionalista, mas porque pela primeira vez, o mundo, ou pelo menos o mundo em que viviam os ideólogos dos estudantes, era verdadeiramente global. (livros, telecomunicações, avião, turistas). Os estudantes de final da década de 1960 não tinham dificuldades para reconhecer o que acontecia na Sorbonne, em Berkeley, em Praga, como parte do mesmo acontecimento, na mesma aldeia global”. (Hobsbawn)

A juventude que participou desse movimento talvez tenha aprendido a não mais se identificar com as fictícias fronteiras, a não mais idolatrar nenhuma civilização superior. Esses jovens tiveram no Vietnã seu tema de unificação e passaram a fazer reivindicações comuns nas diversas partes do globo, pois as opressões que viviam eram muitas vezes semelhantes.

Há uma interconexão entre as atuações dos jovens que ocorreram no período em diversos paises. O que as unia era uma semelhança na contestação da sociedade estabelecida, que esteve acima das diferenças de contexto sócio-político-econômico. Para analisar essa relação faz-se pertinente a descrição de algumas ocorrências fora da França.

Nos EUA, era central a recusa da guerra do Vietnã, e de todas as conseqüências negativas por ela trazidas. O movimento foi caracterizado pela deserção, desobediência civil e recusa da sociedade de consumo, simbolizado pela contracultura e pelo movimento hippie. A arte veio a tomar o lugar da política, provocando inversões das significações habituais, flower power.

Berlim Ocidental, a “Vitrine fora de moda” do mundo “livre”, o instrumento de propaganda do sistema capitalista, passou por uma renovação cultural inspirada em pensadores antiautoritários.

Na Polônia, especificamente em Varsóvia, como reação a repressão cultural (cujo estopim foi a proibição de uma peça de teatro), houve uma ocupação da universidade pelos estudantes, acompanhada de greve estudantil que a policia reprimiu com a ocupação das dependências da universidade.

Na Tchecoslováquia o eixo do movimento foram os protestos contra o stalinismo e a burocracia, marcado fortemente pela ideologia “conselhista”. Era uma busca pela liberdade política, contra o dogmatismo da interpretação oficial do marxismo.

O Japão por sua proximidade com China e Vietnã se envolvia na geopolítica estabelecida para a região, servindo de base aérea para as forcas americanas, o que interferia no cotidiano do país. Os estudantes fazem denúncias dos acordos comerciais e militares nipoamericanos, pois rejeitam-nos.

O foco de ação espanhol foi a luta contra a ditadura franquista. Ocorreu o levantamento de barricadas e a criação de assembléias sindicais ilegais. A polícia reage ocupando o interior da universidade.

Na Itália estão pautados: a luta contra o autoritarismo na universidade e contra a mercantilização da cultura e do homem.

No Brasil, e na América Latina como um todo, a resistência contra as ditaduras e contra a influencia norte-americana dá origem aos movimentos de contestação cultural, como o tropicalista, e as ações que radicalizam os métodos, como a guerrilha.

Contexto francês

Não é possível integrar uma sociedade em desintegração”.

Corra, camarada, o velho mundo quer te alcançar”.

 

Em uma França que no pós-guerra foi reconstruída pelo plano Marshall (empréstimos norte-americanos de baixos juros que buscavam afastar as influências socialistas nos paises do oeste europeu), a década de 50 foi caracterizada por dois quadros: o rápido desenvolvimento econômico do país, cuja taxa de crescimento ultrapassava a média européia; e a proliferação dos movimentos pró-independência nas colônias francesas, muitos dos quais conduzindo a situações de guerra aberta. Esses conflitos deterioram a autoridade da Quarta República, o que foi agravado pela inflação. Em maio de 1958 a França viveu uma crise governamental grave.

A instabilidade provocada pela crise permitiu o reaparecimento político do general Charles de Gaulle que, sob a fama de grande herói da segunda guerra mundial, se colocou perante os franceses como o único capaz de pôr fim à situação vigente. Instaura-se a Quinta República, e é elaborada uma constituição que fortalece a autoridade do chefe de Estado pelo estabelecimento de um regime semi-presidencial, cargo para o qual o general foi eleito.

Em 1968 já estava em crise a Quinta República Francesa, decorrência do fim do império colonial provocada pela soma da derrota na guerra da Indochina em Dien Bien Phu, da 1954, da intervenção em Malgache em 1947, da intervenção no canal de Suez em 1956 e principalmente da guerra na Argélia de 1954 a 1962. Em 1968 os territórios do ultramar, os últimos restantes, se levantam em agitações violentas.

 O ônus desse processo, desgaste político e moral, provoca uma reestruturação interna das forças partidárias. Os partidos de esquerda em 1967 se afirmam decididamente eleitoralistas, abandonando a obrigatoriedade da ascensão revolucionária ao poder. O PC francês perde muito apoio por permanecer indiferente às revelações de Kruschev, mantendo um modo de agir essencialmente stalinista. (ou seja, não era esse partido que poderia fornecer as estruturas de contestação de que os estudantes necessitavam. Pode-se afirmar inclusive que ele atrapalhou o processo revolucionário). A esquerda se divide cada vez mais, e os estudantes se espalham pelas diversas facções.

O presidente da república francesa nesse período, ainda De Gaulle, provocou grandes confusões ideológicas, pois era um general de direita que se alimentava da leitura de fascistas franceses, e que, entretanto, desenvolveu uma política externa antiamericana tomando iniciativas como o reconhecimento da China popular e a saída da OTAN.

Durante essa fase de seu governo foi lançado um plano que pretendia derrubar as estruturas universitárias da Terceira República (universidade fechada sobre si mesma, que se retro-alimentava gerando seus próprios professores, e os do ensino médio) e transformá-la numa máquina eficaz do aparelho do estado que fabricasse quadros “integrados”. Por meio da lei Duvaquet pretendia-se aplicar as leis do mercado ao aparelho educacional.

Acontecimentos

A barricada fecha a rua, mas abre o caminho”.

Quando acontecem coisas extraordinárias na rua é a revolução”.(Guevara)

Já antes do inicio das revoltas propriamente ditas, os estudantes interrompiam seus cursos, e faziam diversos protestos contra questões que cotidianamente os incomodavam, como a segregação sexual. (nesses se destacou Daniel Cohn Bendit, ameaçado de expulsão por contestar o ministro da juventude. Alemão e judeu, sofreu muitas discriminações oficiais, posteriormente se tornaria o mais conhecido líder do maio de 68).

Em 22 de março 1968 estudantes invadem o prédio da administração de Nanterre para protestar contra a prisão de um estudante que pertencia ao “Comitê Vietnã” (grupo que protestava contra a guerra do Vietnã).

De Nanterre as revoltas passam para a Sorbonne, imediatamente ligadas ao incêndio na sede da UNEF, o reitor da Sorbonne recorre à polícia por conta dos enfrentamentos que começam a ocorrer entre grupos estudantis de extrema direita e de esquerda. A polícia entra na universidade contrariando o princípio de sua autonomia e prende vários estudantes.

A ocupação física da Sorbonne, (instauração da comuna estudantil), foi seguida por uma explosão intelectual crítica: seminários, comissões, ruptura de hierarquia, pesquisa-diálogo, crítica da relação professor aluno, da estrutura de gestão das faculdades, da repressão à sexualidade. Tudo foi repentinamente e simultaneamente posto em discussão, em questionamento, em objeção. Não havia mais tabus.

Ela se constituiu numa espécie de quartel-general revolucionário para uma total subversão da sociedade burguesa. A universidade e suas Assembles Générales (sessões plenárias, realizadas todas as noites no anfiteatro, local supremo de origem de todas as decisões, e fonte da democracia direta) estavam abertas a todos aqueles que concordavam com esses objetivos.

Mesmo no Censier que não era um cortiço educacional, e sim construção ultramoderna na qual os alunos eram oriundos majoritariamente de famílias burguesas, a rejeição da sociedade que os criou era tão grande que eles chegam a pôr 24 horas por dia as fotocopiadoras em funcionamento, produzindo um fluxo de literatura revolucionária nunca antes visto. Os revoltosos estavam simultaneamente abalando a estrutura social e tendo o grande momento das suas vidas.

A essa altura, os estudantes eram cada vez mais vistos nas portas das fábricas e dos centros de trabalhadores, distribuindo panfletos e material de propaganda. Eles compreenderam que a salvação do movimento residia na sua extensão a outros setores populares. Em primeiro de maio de 1968 ocorrem, como em todos os anos, manifestações do dia do trabalho organizadas pelos sindicatos. Nesse dia as repressões aos operários promoveram uma aproximação definitiva desses com os estudantes, ambos insatisfeitos com a forma que o governo e a polícia os agrediam.

O fechamento do bairro chamado Quartier Latin pela policia, motiva um dos memoráveis atos da revolução, a sua ocupação. Bendit dá a palavra de ordem, ocupar o Quartier Latin sem enfrentamentos com as forças da polícia. Mesmo assim, por iniciativa principalmente policial, os protestos geraram confrontos violentos. Carros são tombados, incêndios em caixotes, granadas de gás lacrimogêneo, espancamentos. Levantam-se as primeiras barricadas (símbolo revolucionário e histórico).

Tendo subestimado e negligenciado o movimento, o governo tentou dissipá-lo pela força. Mas um massacre foi evitado já que é dos últimos recursos do governo em sociedades industriais estáveis, por destruir a impressão de consenso popular sobre a qual elas se apóiam.

A repercussão foi imediata em toda França. Ocorreram protestos em todas as partes. E no dia 13 de maio, o movimento estudantil ganhou todo o país, o que culminou com a ocupação de todas as faculdades. Uma manifestação percorreu 30 km em Paris.

Greves espontâneas explodem em toda França. Começa uma greve geral de 24 horas que mobiliza mais de mais de um milhão de pessoas e paralisa a França complemente. (Uma forte aspiração autogestionária foi manifestada na ocasião).

Sábado, 21 de Maio, pouco antes da meia-noite, o primeiro-ministro da França, Pompidou, declarou que a polícia seria retirada do Quartier Latin, que as faculdades reabririam, e que a lei “reconsideraria” o caso dos estudantes presos. Este foi o maior recuo político de sua carreira. Para os estudantes, e para muitos outros, era a prova viva da eficiência da ação direta. As concessões que tinham sido obtidas através da luta, não teriam sido conseguidas por nenhum outro meio.

“Precisamente, por serem os estudantes tão-somente um punhado de jovens desarmados que não punham em risco o regime, o governo não teve outra opção senão recuar perante eles. Mas assim pareceu mostrar impotência e deu aos estudantes uma vitória barata”.(Hobsbawn)

Iniciam-se tentativas de acordos entre os sindicatos e governo que não foram bem sucedidas e recomeçam os enfrentamentos com a polícia. Nos dias 28 e 29 de maio, chega ao ápice a decomposição do aparelho governamental. Em 30 de maio ocorre a volta e o discurso de De Gaulle, que dissolve a assembléia nacional e anuncia eleições. Ouvem-se gritos estudantis de ”eleição-traição”. Há um fervor de antiparlamentarismo de inspiração bakunista.

Ao poucos todos vão cedendo e os últimos núcleos duram até o dia 21 de julho.

Os operários

 não mude de emprego, mude o emprego da sua vida”.

Desde 1936 eu tenho lutado por aumentos salariais. Meu pai, antes de mim, também lutou por aumentos salariais. Agora eu tenho uma TV, uma geladeira, um Volkswagen. Porém, apesar de tudo, minha vida continua sendo uma vida de cachorro. Não discuta com os patrões. Elimine-os.

Uma grande questão dessa época é quão de fato revolucionário era o operariado.

Os operários tiveram atuações passivas, inertes e indiferentes, que foram determinantes na derrota da revolução. Quando eles participaram das lutas, foi apenas para descobrir o poder de barganha que tinham acumulado nos últimos anos. Não eram mais revolucionários. Buscavam apenas melhorar suas condições na sociedade de consumo, não se interessavam por nada que não refletisse imediatamente uma mudança econômica. Se os operários tivessem se envolvido da forma que os estudantes o fizeram, os aparelhos burocráticos teriam voado pelos ares.

 Maio de 68 colocou entre parênteses a teoria vigente da luta de classes, pois seus principais atores foram justamente aqueles considerados por ela como secundários. E aqueles que eram os protagonistas da revolução na teoria da esquerda clássica foram no caso os protagonistas do conservadorismo, bem como o foi o partido comunista.  

Os Estudantes

Recusamos o papel que nos foi designado, não seremos treinados como cães policiais”.

 Exames = hierarquia”.

No período pós-guerra, principalmente de 1940 a 1960, ocorreu um baby boom, que é um grande crescimento das taxas de natalidade. Em 1968 esse crescimento já tinha efeitos sobre o sistema educacional porque aumentava a demanda por educação, associada ao aumento do contingente de pessoas na faixa etária escolar.

A expressiva explosão do número de estudantes tem por conseqüência mais imediata e direta uma inevitável pressão do volume de estudantes sobre as escolas e universidades que não estavam física, organizacional e intelectualmente preparadas para tal influxo.

Esses milhões de jovens e seus professores, concentrados em campi ou “cidades universitárias” grandes e muitas vezes isolados, constituíam um novo fator na cultura política.

“Na verdade, só na década de 1960 se tornou inegável que os estudantes tinham constituído, social e politicamente, uma força muito mais importante do que jamais haviam sido” (hobsbawm), pois em 1968, as explosões de radicalismo estudantil falaram alto e se tornaram impossíveis de ignorar.

A França tinha um sistema universitário extremamente convencional. Os professores ditos “progressistas”, as autoridades oficiais, e alguns estudantes vêem a “crise” no ensino como decorrência do atraso da universidade em relação às demandas profissionais, do ensino antiquado e da insuficiência de oportunidade de empregos. Para essa minoria, a universidade não estava adaptada ao mundo exterior, e a solução seria uma reforma modernizante, que aumentasse o orçamento para a educação, que melhorasse as estruturas físicas e que tecnicizasse aquilo que é ensinado, para assegurar o emprego.

Não era exatamente isso que buscava a maioria dos estudantes. Eles não se queixavam da não adaptação da universidade à vida moderna, mas recusavam a vida burguesa, trivial, medíocre, reprimida e opressiva, se contrapondo a idéia herdada de progresso enquanto matriz legitimadora da ordem estabelecida. Eles não se interessavam pela carreira, pelo contrário, desprezavam-na; eles não procuravam integrar o mais rapidamente possível a vida adulta, mas representavam sua contestação radical. Esses alunos se recusavam a melhorar a universidade burguesa. Eles queriam transformá-la radicalmente a fim de que ela formasse intelectuais que remodelassem o cotidiano.

Cultura Jovem

Viver sem horas mortas, gozar sem entraves”.

Quanto mais eu faço amor mais eu tenho vontade de fazer a revolução, quanto mais eu faço a revolução mais eu tenho vontade de fazer amor”.

“A juventude explode em risos e cantos, misturando as barricadas com a pista de dança, o heroísmo e os jogos do amor”.(Marcuse)

Esse foi o movimento de irrupção de uma nova geração (Sader), que estava fortemente marcada pela recusa dos rituais de iniciação para a sociedade, para a vida adulta. Buscando a adolescência permanente, a recreação permanente e a contestação permanente. Procurando novas experiências como as comunidades alternativas, o amor livre, a inovação artística e as drogas.

A antinomia essencial dacultura jovem foi claramente perceptível nos momentos em que encontrou expressão intelectual, como nos instantaneamente famosos cartazes dos dias de 68 em Paris. Esses não foram declarações políticas tradicionais, eram “anúncios públicos de sentimentos e desejos privados”. “Ninguém com a mínima experiência das limitações da vida real, ou seja, nenhum adulto, poderia ter idealizado os slogans confiantes, mas patentemente absurdos, dos dias parisienses do maio de 1968 (Hobsbawn).

A Internacional Situacionista

 

Ocupe as fábricas

Todo poder aos conselhos operários

Acabe com a sociedade de classes

Abaixo a sociedade espetacular mercantil

Acabe com a alienação

Acabe com a universidade

A humanidade só será livre quando o último burocrata for enforcado nas tripas do último capitalista

Morte aos policiais”. (Internacional Situacionista)

Respondem os próprios situacionistas que a palavra situacionista “define uma atividade que pretende fazer as situações, não as examina em função de um valor explicativo ou qualquer outro. Isto em todos os níveis da prática social e da história individual. Nós substituímos a passividade existencial pela construção dos momentos da vida, a dúvida pela afirmação lúdica. Até o presente, os filósofos e os artistas não fizeram mais do que interpretar as situações; trata-se agora de transformá-las. Posto que o homem é o produto das situações que atravessa, convém criar situações humanas”. 

Histórico

A arte está morta, não consuma seu cadáver.

Mude a vida transforme seu mode demploi 

A Internacional situacionista foi criada em julho de 1957, em Cosio d’Arroscia, na Itália a partir da fusão de 3 grupos: a Internacional Letrista, o Movimento Internacional por uma Bauhaus Imagista e a Associação Psigeográfica de Londres. Ela teve em seus 12 anos de existência 70 membros de 16 diferentes nacionalidades. Mas devido às constantes exclusões (45 dos 70 foram excluídos e 19 desligaram-se) a I.S. poucas vezes teve mais de 10 integrantes simultâneos. Quando questionados sobre quantos eram, os situacionistas davam a seguinte e divertida resposta: “somos um pouco mais que o núcleo inicial de guerrilha em Sierra Maestra, mas com menos armas. Um pouco menos que os delegados que estiveram em Londres em 1864 para fundar a Associação Internacional dos Trabalhadores, mas com um programa mais coerente. Tão firmes como os gregos da Termópilas, mas com um porvir mais belo”.

A primeira fase da I. S. que vai até o início dos anos 60, ainda está muito marcada pela importância que davam aos temas arte e cultura. O grupo se apresenta como uma “frente revolucionária na cultura”. Para os situacionistas a arte sempre foi a mais alta forma do trabalho criador. E foi na crítica a arte contemporânea que o movimento inicialmente construiu sua crítica a sociedade espetáculo.

Recusavam uma arte fechada apenas nos seus propósitos estilísticos e formais. Queriam uma arte de ambiência, uma arte que negasse o sentido da própria arte, que afirmasse aos homens as impossibilidades contemplativas, uma arte como criação permanente e permanentemente reconstruível. Tinham um ponto de vista dialético da arte, assumindo a tarefa de “superar” a arte, ao abolir a noção de arte como uma atividade especializada e separada e transformando-a naquilo que seria parte da construção da vida cotidiana.

Do ponto de vista situacionista, a arte ou é revolucionária ou não é nada. A superação da arte só viria pela transformação ininterrupta do meio urbano. O que demandava fazer do urbanismo e da arquitetura as ferramentas da revolução do cotidiano. Segundo o programa Situacionista a imaginação deveria tomar de assalto o vazio existencial da cidade, subvertendo um cotidiano cego pelo hábito, restituindo significando aos espaços, despertando um passado mítico.

No período de 1960-61 acontece um grande expurgo dos “artistas” da I.S. que marca a passagem da “fase artística” para a “fase política”. À medida que o grupo se aprofunda em seu projeto de se tornar político, cada vez mais tomam destaque as questões objetivamente políticas, a organização de conselhos operários, a avaliação da nova fase do capitalismo… Os insultos aos surrealistas vão diminuindo, e cresce o número de insultos contra stalinistas, leninistas e intelectuais em geral. Freqüentemente aparentam parodiar os Trotskistas com suas exclusões, rachas, remissões à revolução permanente, hábito de batizar de “congressos internacionais” conversas de bar de 5 ou 6 pessoas.

O Trabalho teórico á que se dedicam Debord e Vaneigem (os dois principais teóricos situacionistas) depois de 1962 faz com que a I.S. se torne levemente discreta no período, o que é apenas um intervalo preparatório para uma nova fase da guerra que eles vêem à frente. A construção de textos com a atenção minuciosa daqueles que fazem bombas, desembocou nos principais livros do grupo, “A sociedade do espetáculo” de Guy Debord e a “Arte de viver para as novas gerações” de Raul Vaneigem, lançados quase simultaneamente no final de 1967.

Em 1966, os situacionistas usam todos os fundos do escritório da UNEF de Strausbourg para a publicação de um caderno intitulado: Sobre a miséria do meio estudantil. Esse texto foi reproduzido em praticamente todas as universidades. Em Nanterre, os estudantes usam o texto para começar sua própria revolta. Um desses estudantes, Daniel Cohn Bendit depois se lembraria: “o texto funcionou como uma espécie de detonador, nós fizemos tudo o que pudemos para distribuí-lo”.

EM 1968 aconteceu aquilo que muitos consideram a grande “obra de arte” situacionista, as revoltas francesas, que marcam o início do fim da I.S. efetivado através de um decreto de autodissolução em 1972. Talvez os mais importantes textos situacionistas sejam aqueles que apareceram nos muros de Paris de 68 como Não trabalhe jamais.

Teorias 

A mercadoria nós a queimaremos.

Abaixo a sociedade de consumo.

Foram os situacionistas, e centralmente Guy Debord, que numa mescla de marxismo, anarquismo e surrealismo fizeram a crítica mais certeira à sociedade “espetacular mercantil” onde tudo se associa à mercadoria e essa se dá como espetáculo. Toda a vida é envolta por uma imensa acumulação de espetáculos.

               A sociedade do espetáculo é o mundo das pseudo-necessidades, do consumo, o mundo em que o viver tornou-se uma representação caricata espetacular dos bens de consumo, “o mundo em que a cultura é redefinida por um processo de comercialização, transformada num campo de investimentos, especulação e consumo como qualquer outro, criando uma indústria que se esforça por compensar o extremo empobrecimento da vida social, cultural e emocional, arrebatando as pessoas para uma celebração permanente das mercadorias, saudadas como imagens, como novidades, como objetos eróticos, como espetáculo” (Sevcenko). A mercadoria se torna o centro absoluto da vida social e as trocas entre os sujeitos passam a ser indiretas, tendo por intermediária a imagem.

Ao fazer o diagnóstico da deturpação da sociabilidade pela mercadoria eles propõem uma “revolução integral na vida cotidiana” que haveria de reivindicar o viver do tempo histórico, buscando a desmontagem do capitalismo enquanto civilização. Isso aconteceria pela implementação dos conselhos operários, pela autogestão e pela inovação do surrealismo. O surrealismo é revivido sob o signo não conformista absoluto que têm como linguagem os elementos semânticos da revolução, se erguendo contra todos inclusive os revolucionários. Em todos os lugares, sustentavam incondicionalmente todas as formas de liberdade dos costumes, a chamada libertinagem.

Esse coletivo coloca-se não só como o negativo da sociabilidade burguesa, mas também como o negativo daqueles que se antepunham “formalmente” a ela. Ele busca afrontar as vicissitudes dos projetos revolucionários de seu tempo, para anunciar-lhes a derrota antecipada. Para eles as palavras “movimento político” escondem o aparelhamento promovido pelos lideres de grupos e partidos, que se servem da a passividade organizada de seus militantes e da força opressiva de seus poderes. A I.S. repudia o poder hierárquico, sob qualquer forma que se apresente. Logo não é um movimento político clássico.

A revolução dos muros

A cultura está se desintegrando, Crie!.

Criatividade, espontaneidade, vida.

A revolução dos muros foi uma revolução cultural no bojo da qual a imaginação tomou o poder.(Matos)

Uma das coisas que tornaram o Maio de 68 famoso foram seus muros. Os situacionistas são responsabilizados pelo ápice da criatividade nesses e em parte pela propagação do hábito. Os grafites territorializam o espaço urbano transformando-o num espaço deveras coletivo. “Durante semanas estudantes e não-estudantes foram os senhores, não da sociedade, nem mesmo da instituição universitária, mas de seus muros” (Touraine)

A propaganda através de inscrições e desenhos em muros e paredes é uma parte integrante da revolução. Ela se tornou uma atividade de massa, forma de auto-expressão dos que se sublevaram. “Os muros do Quartier Latin são os depositários de uma nova racionalidade, não mais confinada nos livros, mas sim democraticamente exposta no nível da rua e tornada disponível a todos. O trivial e o profundo, o tradicional e o exótico, o convívio íntimo nessa nova fraternidade, quebrando rapidamente as rígidas barreiras e divisões na cabeça das pessoas”. (Solidarity)

“Liberação da palavra, panfletos, discursos-relâmpagos, pregações, slogan e simultaneamente, o advento ou alargamento do espaço público, no qual se encontram e dialogam intensamente homens que na véspera se ignoravam” (Lefort).

Reflexões sobre 68

Sejamos realistas, que se peça o impossível”.

Nossa revolução é maior do que nós mesmos”.

Os acontecimentos de maio de 68 na Franca podem ser classificados de mais de uma maneira, “como convulsão anti-sistêmica que provoca uma crise de governabilidade” (Arantes), “como um dos espasmos que de vez em quando atravessam o sistema político denunciando sua passividade e suas incongruências” (Giannotti) ou como um “fenômeno que expressou uma ruptura fundamentalmente política” (Sader).

Entretanto, há um quase consenso de que o movimento político que ocorreu em 1968 não é passível de circunscrição às categorias políticas, culturais e sociais até então conhecidas. Afirma Olgaria Matos: “que ele foi um movimento metacartesiano (fora do quadro das idéias claras e distintas, das evidências que catalogam, classificam e tipificam as idéias para pensá-las em um conjunto não contraditório.) e metamarxista (apesar do jargão do movimento se valer de proposições de Marx, sua mensagem real não aceitava mais a noção de teoria e revolução dela provenientes)”.

Ninguém pode reivindicar para si esse movimento: ele foi amplamente espontâneo e os inúmeros grupos organizados nele envolvidos, (trotskistas, maoístas, guevaristas, anarquistas, situacionistas) influenciaram, mas não determinaram os seus rumos. Havia uma critica radical à fusão do indivíduo na totalidade entendida como partido ou estado, que foi determinante na luta por um movimento sem dirigentes, sem hierarquia, sem disciplina partidária, ou outra qualquer. Foi uma busca por despojar o partido do papel de locomotiva da história. A recusa das organizações políticas veio da consciência de que nelas “uma minoria de dirigentes se cinde da massa dos executantes, a informação se retrai para o espaço do poder, hierarquias manifestas ou ocultas se fazem suporte dos aparelhos, setores de atividade se fecham, o principio da eficiência que rege a divisão do trabalho e do saber se faz passar por principio de realidade, o pensamento se deposita e se petrifica em programas que assinalam a cada um os limites do que è permitido fazer e pensar” (Lefort).

O Maio de 68 foi antes de tudo uma grande busca da transmutação radical de valores, do modo de vida cotidiano. Pelo oferecimento de uma utopia concreta ao trabalhador, de festa, de música, pelo rompimento com a contestação tradicional, pela recusa da tutela das autoridades estabelecidas, pela ação direta. Foi uma tentativa de colocar as instituições fora de funcionamento, a autoridade fora de condições de se exercer, de instalar a ilegalidade na praça pública à vista de todos, de derrotar a repressão, de tornar a lei duvidosa e de que o direito fosse realizado nas ruas.

Contradizendo a teoria revolucionária clássica

Não consuma Marx. Viva-o.

Trabalhadores do mundo inteiro, divirtam-se.

 

Diferentemente do que ocorreu em revoluções, não foi a fome gerou revolta. Tampouco uma crise econômica, apesar de um certo grau de desemprego. Esse movimento não é decorrência do “sub consumo” ou da “superprodução”. A “queda da taxa de lucro” simplesmente não foi modificada. O movimento não estava focado em reivindicações econômicas, mas em mudanças políticas e de costumes. A rebelião estudantil despojada de uma base de classe no sentido tradicional é simultaneamente política, moral e instintiva, conta a sociedade produtivista e os simulacros de valores que ela engendra.

O movimento escolheu para o papel de vilão, o conflito entre os que dão ordens e os que obedecem a ordens, entendendo por contradição insolúvel do capitalismo a necessidade de excluir as pessoas da gestão de suas próprias atividades e ao mesmo tempo depender da participação delas. Não se focando na anarquia do mercado ou a contradição entre as forças produtivas e as relações de propriedade.

Resultados

 

O futuro só conterá o que pusermos nele hoje.

Em breve, encantadoras ruínas”.

O processo revolucionário de 68 desencadeou uma crise de autoridade generalizada, modificou tanto as relações sociais e de força na sociedade, quanto a imagem das instituições e dirigentes estabelecidos. Ela revelou a natureza opressiva do Estado e sua essência contraditória.

 Os estudantes desmascararam os dirigentes burocráticos das “organizações da classe trabalhadora” ao mostrá-los como os últimos guardiões da ordem estabelecida. Dissiparam o mito da invulnerabilidade da sociedade capitalista da qual os grandes conflitos estariam erradicados, e os problemas restantes eram marginais.

68 Abriu uma década de lutas sociais e só foi de fato enterrado pela contra revolução liberal-conservadora de Reagan e Tatcher (Arantes).

Pontualmente cabe a elucidação de que na França foram abatidos nesse processo, alem da lei Duvaquet, a reforma no código da nacionalidade, a instalação de prisões privadas, e a penalização do consumo de drogas.

Conclusão

A paixão da destruição é uma alegria criadora posto que destruir já é começar a construir”.

“Deus está morto, assinado: Nietzsche , Nietzsche está morto, assinado: Deus

 

A força social que iniciou o processo revolucionário foi essencialmente a dos jovens. Eles, e dentre eles notavelmente os situacionistas, produziram um suporte teórico para o maio de 68, reflexo principalmente da falta de perspectivas a serem oferecidas pela monótona sociedade burguesa. Houve uma busca pela adoção de transformações radicais do cotidiano, de um modo de vida libertário.

Foram questionados o modelo institucionalizado de sociedade, as relações sociais dentro dela, que decorriam do modo de produção adotado e o conservadorismo das atividades políticas que poderiam ser as saídas desse vicioso ciclo. Foi proposta a liberdade como valor supremo e a coletividade como forma de implementá-la.

 Os desdobramentos da inquietude transformada em ação foram corrosivos da aparente estabilidade das sociedades capitalistas industrializadas. Ao conseguir mobilizar grandes contingentes e afetar todos os que estavam no entorno, os envolvidos conseguiram, no mínimo, estimular a crítica da sociedade e propor reformulações.

A originalidade da forma de fazer política estava imbricada no despojamento das organizações, da hierarquia e da disciplina e na adoção da irreverência, do desejo e da coletivização como formas mais profícuas de transtornar a ordem estabelecida. E a originalidade no pensar do cotidiano esteve tanto em perceber o papel social da mercadoria e sua propagação como espetáculo quanto em reformar as interações sociais por ela reprimidas a partir da desprivatização do espaço.

A mundialização dos processos vividos ocorre a partir do momento em que há meios nos quais eles possam ser compartilhados e se influenciar mutuamente. A revolução em curso em 1968 estabelecia pontos de convergência com varia outras insatisfações e reivindicações ao longo do globo, isso a tornou parâmetro e modelo para inúmeras explosões semelhantes.

 Bibliografia

 ARANTES, Paulo, 2003, Memórias do presente (100 entrevistas do mais!)

DEBORD, Guy, 1967. A sociedade do espetáculo, comentários sobre a sociedade do espetáculo

DEBORD, Guy, 1989. Panegírico

GARCIA, Marco Aurélio e VIEIRA, Alice Maria (organizadores), 1999. Rebeldes e contestadores

HOBSBAWM, Eric, 1994. Era dos Extremos

HOBSBAWM, Eric, 1973. Revolucionários: Ensaios Contemporâneos

MATOS, Olgaria C.F, 1987. Lua Nova, cultura e política vol.3, N 4

MATOS, Olgaria C.F, 1981. Paris 1968, as barricadas do desejo

PINHEIRO, P S, 1988. Paris, maio de 68: Nada a retomar

SADER, Emir, 1990. Estudos N 16, 1968 A imaginação no poder

SEVCENKO, Nicolau, 2001.A Corrida do Século 20 para o 21: No Loop da Montanha-Russa

SITUACIONISTA, Internacional, 2002. Situacionista Teoria e Prática da Revolução

SOLIDARITY,. Paris: maio de 68

VANEIGEM, Raul, 1967. A arte de viver para as novas gerações

http://www.espacoacademico.com.br/048/48cpinto.htmhttp://www.geocities.com/autonomiabvr/situacio.html

http://www.mac.usp.br/projetos/arteconceitual/situacionista.htm

http://www.wikepwdia.org 

 Tomo meus desejos por realidade, pois acredito na realidade de meus desejos”.

 

 



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