O Futebol Mexendo com os Brios: A História da Excursão da Portuguesa Santista ao Continente Africano e a Segregação Racial na África do Sul

17jan11

O FUTEBOL MEXENDO COM OS BRIOS: A HISTÓRIA DA EXCURSÃO DA PORTUGUESA SANTISTA AO CONTINENTE AFRICANO E A SEGREGAÇÃO RACIAL NA ÁFRICA DO SUL

Frederico Souza de Queiroz Assis

frederico.assis@usp.br

Lattes: http://lattes.cnpq.br/6054254376386937

Como muito se sabe, no ano de 2010 ocorreu na África do Sul a 19a Copa do Mundo de Futebol, curiosamente em um país que, em anos anteriores, tinha sido suspenso e expulso dos quadros da FIFA em função do regime de segregação racial que lá perdurava por décadas. O que pouco se sabe é a contribuição, ainda que modesta, realizada por um time brasileiro justamente à resistência ao apartheid sul-africano em tempos passados. Assim, este texto pretende narrar um pouco dessa história, protagonizada pela Portuguesa Santista em uma excursão vitoriosa às terras do continente africano em fins da década de 1950, e seus desdobramentos, relacionando futebol, política e sociedade.

A Portuguesa Santista nasceu da iniciativa de um grupo de portugueses de origem modesta, trabalhadores de pedreira e da Companhia City – empresa que desempenhou papel fundamental na transformação da realidade urbana santista (exemplo importante é a eletrificação dos serviços dos bondes da cidade, a partir de 1909) –, em fundar um clube de futebol que representasse a colônia portuguesa da cidade de Santos.

Emulando um grupo de jornaleiros de ascendência espanhola, que tinha fundado em 1914 o Hespanha Football Club (que teria seu nome mudado, após o contexto da Segunda Guerra Mundial, para Jabaquara Atlético Clube, equipe que revelaria um dos maiores goleiros de todos os tempos, Gilmar dos Santos Neves), o português Lino do Carmo e seus conterrâneos, reunidos numa barbearia da Rua Dr. Manoel Carvalhal (denominação da Rua Joaquim Távora até 1930), no tradicional bairro do Marapé, deliberam pela criação da Associação Atlética Portuguesa.

Assim, a Portuguesa Santista, como viria a ser popularmente conhecida, vem ao mundo no dia 20 de novembro de 1917, na esteira das agremiações nascidas por iniciativas de colônias de imigrantes portugueses no Brasil. De olho nesse processo, pode-se destacar os casos do carioca Club de Regatas Vasco da Gama, de 1898 (sendo que o clube de futebol apareceria em 1915, pela fusão com a Lusitânia), da paraense Tuna Luso, de 1903, e da paulistana Associação Portuguesa de Desportos, de 1920.

Já formada, a equipe santista seria carinhosamente chamada pelos torcedores de “Briosa” – simbolizada pela mascote que faz jus às raízes do clube: “cachopinha”, a menina portuguesa –, apelido que faz alusão às viradas históricas empreendidas pelo time na participação de diversos torneios de futebol amador realizados no litoral do Estado no início de sua história, atribuindo para si, assim, a imagem de time que “não levava desaforos pra casa”.

Depois de uma trajetória vitoriosa nos campeonatos das décadas de 1920 e 1930 (sem contar o espírito inovador demonstrado na construção do seu estádio, o Ulrico Mursa, nos anos 20: o primeiro a ter arquibancada de concreto e coberta na América Latina), seria no ano de 1950 que a Portuguesa Santista faria sua primeira excursão ao exterior, justamente em terras lusitanas, onde alcançaria uma campanha com cinco vitórias em sete jogos, marcando 17 gols e tomando apenas 7. Havia disputado partidas contra os co-irmãos: Sporting de Braga, FC Tirsense, FC Porto, Vitória de Guimarães, Acadêmica de Coimbra, Sporting de Lisboa e EC Marítimo, este na Ilha da Madeira.

Contudo, a viagem internacional que melhor projetaria a imagem da Lusinha ocorre em 1959, quando o escrete santista desembarcou em terras do continente africano. O êxito da campanha proporcionou ao clube a honra de deter a “Fita Azul do Futebol Brasileiro”, título honorário concedido pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos, entidade responsável pela organização dos esportes no Brasil, entre 1919 e 1979; a partir daí se marcaria o surgimento da CBF, Confederação Brasileira de Futebol, por meio de um decreto da FIFA, que exigia que o futebol fosse gerido por entidades exclusivas ao esporte) aos clubes que permanecessem invictos pela maior série de jogos em campanhas no exterior em uma temporada.

O termo “fita azul” havia sido cunhado para o caso das embarcações marítimas que fizessem em menor tempo o percurso de travessia do Atlântico Norte, na virada do século XX (exemplo ilustre é o recorde do majestoso navio britânico Queen Mary). Por extensão, “fita azul” passou a se referir a algo de grande qualidade.

No Brasil, poucos clubes adquiriram tal condecoração: além da Portuguesa Santista, pode-se mencionar os casos da Portuguesa de Desportos (1951, 1953, 1954), do Coritiba (1972; a expressão “fita azul” está presente inclusive no hino do Coxa) e do Santa Cruz (1980).

Muitos cortejos acompanharam a partida da Briosa do cais do porto de Santos, no dia 31 de março de 1959. A bordo da embarcação holandesa “Boissevan”, a viagem marítima duraria 13 dias, atracando em terras africanas para excursionar por Moçambique e Angola, então colônias portuguesas na África. Os jogos históricos seriam realizados entre 16 de abril a 28 de maio daquele ano.

A fim de preservar a história e demonstrar o reconhecimento do feito, deve-se citar os indivíduos que levaram a cabo aquela conquista: José de Souza chefiava a delegação; Filipo Nuñes era o técnico; Juvenal Emílio dos Santos, o enfermeiro; Estevan Franceschini, o massagista; além do jornalista Mário Nobre. Os jogadores que realizaram uma das campanhas mais fantásticas de um clube brasileiro no exterior, com quinze vitórias em quinze partidas disputadas, fazendo 75 gols e tomando apenas 10, são: Adelson, Atílio, Bota, Carlito, Chamorro, Gerolino, Gonçalo, Grilo, Guilherme, Jorge, Nenê, Nicola, Nivaldo, Perinho, Pichu, Raul Simões e Valdo. O artilheiro foi Grilo, com 20 gols, seguido por Guilherme, com 18.

Atracando o navio holandês “Ruys”, em 11 de junho de 1959, retornava às terras da Baixada Santista o time campeão, sendo recepcionado calorosamente por uma multidão na cidade. Os jogadores desfilariam em carro de bombeiro pelas ruas e avenidas de Santos, sendo aclamados como heróis, até chegar no estádio Ulrico Mursa, onde deram a volta olímpica no gramado.

Os dados históricos da “campanha da fita azul” são os seguintes: 5 x 0 Combinado de Moçambique (16/04), 8 x 0 Ferroviária de Lourenço Marques (18/04), 5 x 1 Seleção de Transwaal (19/4), 5 x 0 Desportos de Lourenço Marques (26/04), 4 x 2 Seleção de Lourenço Marques (30/04), 5 x 1 Seleção União Sul-Africana (03/05), 3 x 0 Ferroviário da Beira (09/05), 2 x 0 Seleção da Beira (10/05), 7 x 1 Ferroviário de Angola (16/05), 3 x 0 Combinado de Sá da Bandeira (17/05), 6 x 1 Seleção de Luanda (19/05), 4 x 1 Combinado Benguelã (21/05), 3 x 0 Grupo Desportivo Ambaco (23/05), 6 x 2 Seleção de Huambo  (24/05) e 9 x 1 Combinado de Lourenço Marques (28/05).

No entanto, a partida que entraria para a história da excursão é justamente aquela que não ocorreu. A África do Sul estava no itinerário da viagem da equipe brasileira; no entanto, a delegação da Portuguesa Santista teve que enfrentar um adversário extracampo, qual seja, o regime de segregação racial que vigorava no país. Desde o complicado desembarque dos três atletas negros da Briosa na Cidade do Cabo até a preparação para o jogo, a passagem do time brasileiro acabou por constituir um incidente diplomático entre Brasil e África do Sul.

No dia do jogo, quando a equipe santista, uniformizada, estava pronta nos vestiários para entrar em campo contra um combinado da Cidade do Cabo, um dirigente do futebol local apareceu, informando que os jogadores negros não poderiam participar da partida porque assim determinavam as leis do país. O então Encarregado de Negócios da Legação Brasileira na Cidade do Cabo, Segundo-Secretário Joaquim de Almeida Serra estava no estádio e, prontamente, manifestou-se contra a recomendação, apoiado por todo o elenco. “Ou jogam todos ou ninguém joga!”, dizia ele. E ninguém jogou.

Pela recusa em disputar a partida, o episódio obteve repercussão internacional e ajudou em alguma medida a combater o apartheid no esporte. Joaquim de Almeida Serra, neto do destacado abolicionista homônimo Joaquim Serra, recebeu um telegrama do Itamaraty, informando que Presidente Juscelino Kubitschek elogiava sua atitude. O evento também acabou se transformando em um marco histórico por ter sido a primeira vez em que o Brasil se posicionava publicamente contra aquele regime.

As relações entre Brasil e África do Sul, estabelecidas oficialmente entre 1947 e 1948, com a abertura de representações diplomáticas em cidades de ambos os países (Rio de Janeiro e Pretória, respectivamente), apresentava um caráter marcadamente pragmático, do ponto de vista das relações comerciais. O incidente diplomático arranharia em certa medida o relacionamento com a nação africana, o qual seria abalado mais bruscamente em meados da década de 70, após o recrudescimento interno do regime do apartheid, a resposta da comunidade internacional e o impacto das independências das colônias portuguesas na política exterior do Brasil.

O tema do racismo no futebol é, infelizmente, secular. No Brasil e no mundo, manifestações de cunho racista ocorrem vinculadas à prática futebolística, de modo lamentável, até a atualidade (vide, por exemplo, o caso mais recente dos insultos ao jogador italiano de origem ganesa Mario Balotelli no calcio).

Na mesma medida, historicamente brotam respostas de combate ao racismo no futebol. No Brasil, de modo exemplar, pode-se destacar o papel pioneiro do Bangu-RJ na aceitação de atletas negros em seu plantel. Já em 1905, um ano depois de sua fundação, o clube contava com Francisco Carregal, o primeiro negro inscrito em competição oficial. Anos mais tarde, na década de 1920, o próprio Vasco da Gama ganharia notoriedade ao causar polêmica por ter ganhado um campeonato com um time repleto de negros e de trabalhadores de origem humilde. Contrariando disposições dos dirigentes aristocráticos à época, o Gigante da Colina chegou a ser expulso da principal Liga Carioca por tal motivo.

Para se ter uma idéia das dimensões da questão, no início daquela década, existia um debate se os negros deveriam ser convocados para a seleção brasileira em um campeonato sul-americano em Buenos Aires, em função de uma recomendação do Presidente Epitácio Pessoa, que acreditava que a seleção projetava a imagem da sociedade brasileira no exterior e, portanto, deveríamos escalar o que “melhor” representasse nossa sociedade…

Uma série de pessoas notáveis apoiava essa medida, como, por exemplo, o escritor e intelectual Coelho Neto, torcedor do então aristocrático Fluminense Football Club – e pai do multi-atleta Preguinho, primeiro brasileiro a fazer gol em uma Copa do Mundo (contra a Iugoslávia, em 1930, no Uruguai) –, e que, por isso, travava debates sobre o tema com Lima Barreto, o qual acabou por manifestar sua oposição à prática do esporte como um todo.

O tema da natureza racial (e social) do esporte sempre se mostrou muito importante mesmo na formação dos clubes: o Grêmio de Football Porto Alegrense, por exemplo, só aceitou o primeiro negro a vestir sua camisa como jogador profissional na década de 50 (o Grêmio posteriormente tomou uma medida muito simpática: em artigo de seu estatuto determinou que a estrela dourada de seu distintivo simbolizaria o lateral-esquerdo Everaldo, negro, campeão mundial com a seleção de 1970); em contrapartida, pode-se apontar o exemplo do Sport Club Corinthians Paulista, cuja formação adquiriu desde 1910 características claramente populares e hoje se configura como uma das maiores torcidas do Brasil muito em função dessa especialidade.

A história do futebol brasileiro nos fornece vários casos específicos. E, nessa esteira, vale lembrar a obra de Mário Filho, jornalista que hoje dá nome ao estádio do Maracanã. O irmão de Nelson Rodrigues escreveu em 1947 a obra “O Negro no Futebol Brasileiro” e obteve grande repercussão.

Considerando o contexto histórico da África do Sul, a questão do negro no esporte adquire uma natureza mais radical. O regime de segregação racial que vigorou no país de 1948 a 1994 determinava que a África do Sul tivesse quatro ligas separadas: uma específica para os brancos, uma para os negros, outra para mestiços e uma última para os indianos. Na seleção nacional, em sintonia com os Springboks (apelido da seleção sul-africana de rugby, uma das grandes do esporte no mundo), somente os de pele branca podiam jogar.

Como se pode intuir, o futebol brasileiro exerceria influência na conformação do esporte em terras sul-africanas. Embora as Copas do Mundo não passassem integralmente no país até a década de 1990, um velho conhecido brasileiro passou a ser motivo de inspiração para os jovens esportistas sul-africanos. Pelé, negro, atuando ao lado da (multirracial) seleção de 1970 (embora a televisão só tivesse chegado ao país em 1976, as imagens, até então, eram vistas em cinemas), transformou-se, no imaginário dos jovens esportistas do país, em símbolo do que os negros podiam fazer, ao verem trechos de suas jogadas geniais.

Para se ter uma idéia, um dos principais times do país, o Mamelodi Sundowns, fundado no bairro misto de Marabastad, em Pretoria, usa uniformes semelhantes aos da seleção canarinho (camisa amarela, calções azuis e meias brancas para o uniforme principal; camisas azuis, calções brancos e meias azuis para o segundo uniforme). Por isso, o time, hoje dirigido pelo búlgaro Hristo Stoichkov (artilheiro da Copa de 1994 e membro do dream team do Barcelona na década de 90) é também conhecido pela alcunha “The Brazilians”.

Com efeito, diante desse contexto de segregação, o futebol acabou se transformando em um importante canalizador da resistência contra o apartheid nas “townships” sul-africanas (áreas urbanas subdesenvolvidas reservadas aos não-brancos).

Em 1961 – portanto, dois anos depois do fatídico episódio com a Portuguesa Santista –, a FIFA decide suspender a África do Sul das competições internacionais que organizava. Um ano antes, havia ocorrido o Massacre de Sharpeville, quando a polícia nacional abriu fogo contra uma manifestação pacífica que protestava contra a lei do passe, a qual obrigava os negros a usarem uma caderneta identificando onde eles poderiam ir. A partir daí, a comunidade internacional voltou seus olhos para o regime de segregação no país de modo mais efetivo. Em 1962, as Nações Unidas aprovariam uma resolução condenando o apartheid e pedindo aos países-membros que cortassem relações diplomáticas com a África do Sul.

Em 1976 (mesmo ano do Levante do Soweto, episódio de brutal repressão a uma manifestação – no qual morreria o estudante de 13 anos, Hector Pieterson, o qual viraria figura-símbolo do massacre), vem à tona um pacote de medidas do Presidente Pieter Botha, definindo novas regras para a prática esportiva do futebol no país, definida em termos racializantes. Tal implementação serviria como estopim para que a FIFA a expulsasse a África do Sul de seus quadros – que voltaria a integrá-los apenas em 1992.

Cada vez mais, o futebol transcendia sua natureza de mera modalidade esportiva e servia como espaço de protesto, aglutinando formas de solidariedade negra, a partir da construção de um processo intersubjetivo de resistência política. O clima provocado pelo clássico do Soweto (abreviação de South-West Townships, “bairros do sudeste” em português) entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates expressa bem o espírito que animava a luta contra o apartheid.

Após a derrocada do regime de segregação, no início da década de 1990, o país sediaria a Copa do Mundo de Rugby, em 1995 (história retratada no filme “Invictus”, de Clint Eastwood), que seria vencida exatamente pelo time anfitrião, numa final contra os “All Blacks” da Nova Zelândia. Na ocasião, pela primeira vez um negro defendia a camisa da seleção nacional da África do Sul: Chester Williams. E a participação do “pérola negra”, alcunha pela qual Chester é conhecido, acaba, de algum modo, nos remetendo ao episódio da Portuguesa Santista em que os negros não puderam jogar naquele país. Justo com a Lusinha, nascida, por ironia do destino, em 20 de novembro, dia da consciência negra, dia da morte de Zumbi dos Palmares.

E, assim, parece que, mesmo sem ter entrado em campo, foi a Briosa que venceu o jogo.



2 Responses to “O Futebol Mexendo com os Brios: A História da Excursão da Portuguesa Santista ao Continente Africano e a Segregação Racial na África do Sul”

  1. 1 Sérgio Roberto Guedes Reis

    Não poderia deixar de elogiá-lo e parabenizá-lo pelo texto. Conheci essa história da Lusinha num especial do Sportv, tempos atrás. Acho que é simbólica por trazer à tona não só um certo romantismo do futebol que, infelizmente, não existe mais – as excursões internacionais, que à época eram sérias e visavam muito mais o prestígio do que o dinheiro; a relação comunitária e coesa entre os jogadores e a equipe técnica – mas também um potencial emancipatório que o futebol carregava. Seja como esforço de apaziguamento de tensões e guerras, seja como instrumento de popularização da dignificação étnica, esse democrático esporte representou, como ponta de lança, importantes transformações que ocorreram em nossa sociedade.
    Me encantou a construção do texto e, mais ainda, a lembrança da histórica tri-fita azul da Lusa (que quase ninguém sabe) … rs. Contar uma história densa por meio de um aparente tema menor poder ser uma experiência pedagógica das mais enriquecedoras.
    Gde abs,

    Sérgio

  2. 2 Emanuelle Oliveira

    Fred, que belo texto! Históricamente rico, com detalhes precisos e informações singulares que desconhecia. Parabéns! =)


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